TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO - INOVAÇÃO E O MERCADO DE TRABALHO: UMA ANÁLISE PARA O BRASIL

No início de 2021, durante o curso de Economia, na Universidade Estadual de Montes Claros, ocupava boa parte do meu tempo em leituras que pudessem dar suporte ao meu trabalho de conclusão de curso, que era algo como "O impacto dos times de futebol na economia regional". A apresentação do projeto era dividido em três partes, um a cada semestre, sendo a última a responsável pela atribuição da nota final (e consequentemente a aprovação como bacharel do curso).

Enfrentei diversas dificuldades nessa pesquisa, uma vez que as equipes de futebol são bastante rigorosas no que diz respeito a compartilhar informação com o público.

Com os escassos dados ao meu dispor, utilizei a ferramenta RStudio para tentar tirar conclusões a partir da regressão linear, ou econometria (como é chamada na área da Economia, em poucas palavras), tentando verificar a hipótese de que um time de futebol em uma região e uma economia regional saudável possuem correlação positiva, porém os resultados eram insatisfatórios em função da quantidade limitada de dados e, além disso, também sofria com embasamento teórico de qualidade.

 Ao mesmo tempo, percebia uma característica muito importante do mercado de trabalho: o conhecimento em tecnologia, de maneira ampla, impacta na riqueza de um lugar. Digo isto pois era possível observar que os alunos que se destacavam possuíam algum tipo e qualificação que ia além dos conhecimentos em economia: Utilizando o RStudio, Python, ferramentas de análise de dados em geral. E somando o fato de ter tido muita dificuldade no tema  "futebol" para a construção de um trabalho no mínimo considerável, questões pessoais e a recepção negativa de parte da bancada avaliadora para com o projeto, decidi, faltando praticamente sete meses para o fim do curso, iniciar o TCC do zero com um novo tema:

INOVAÇÃO E O MERCADO DE TRABALHO: UMA ANÁLISE PARA O BRASIL.

 link:Leitura TCC


O tema parecia mais maduro e mais relevante para a sociedade. A importância social do tema escolhido é relevante e além disso já era de conhecimento que a fonte de dados e literatura para o novo proposto era abundante.

O trabalho se propôs a analisar o comportamento do mercado de trabalho no Brasil, no período compreendido de inicio de 2012 até final de 2017. Na construção do projeto, esse período pareceu conveniente pois a partir de 2018, na ocasião, foi difícil coletar tantos dados quanto dentro do período escolhido e, além disso, coincidia com um importante movimento político: o início do governo Dilma até seu afastamento em agosto de 2016, além do período Temer. Portanto seria possível avaliar o que aconteceu numa época de fortes transformações políticas.

Utilizando o conjuntos de dados (praticamente todos de fontes governamentais, como PINTEC), foi testada a hipótese de que o mercado de trabalho brasileiro não está adequado às novas exigências que se originam a partir dos processos de inovação tecnológica. Em termos de resultados, na Indústria, a maior parcela dos ocupados atua nas atividades de baixa intensidade tecnológica, evidenciando a necessidade de alterações fundamentais na formação de trabalhadores, bem como nas estruturas de trabalho.

O embasamento teórico foi extenso, discutindo tendências do mercado e até previsões de autores como Paolo Sylos Labini, que argumenta em seu livro Oligopólio e o Progresso Técnico (1962) que o progresso técnico nas economias capitalistas é impulsionado pelos setores oligopolistas, onde poucas empresas dominam o mercado e investem em inovação para manter ou ampliar sua vantagem competitiva. Ele também destaca o papel das barreiras à entrada e da difusão tecnológica no crescimento econômico. Também foi fundamentado em pensamentos de Joseph Schumpeter, em Capitalism, Socialism and Democracy, onde argumenta que uma estrutura de mercado envolvendo grandes empresas, com elevado nível de poder de mercado é o preço que a sociedade paga para um rápido progresso tecnológico, ou seja, o autor aponta para a estrutura de mercado dominante no mundo – a oligopolista – como consequência e ferramenta do rápido progresso tecnológico.

Também foi importante discutir a situação do Brasil nesse processo, e para ilustrar coerentemente foi utilizada fontes como o artigo "Indústria 4.0: Desafios e oportunidades para o Brasil", apresentado no X Simpósio de Engenharia de Produção de Sergipe (2018), que discute a necessidade de modernização da indústria brasileira frente à Quarta Revolução Industrial. Destaca-se que, para manter a competitividade no mercado global, é essencial que o país invista em inovação, educação e integração tecnológica. Apesar das tecnologias avançadas disponíveis, o Brasil ainda enfrenta desafios internos e externos que dificultam a adoção plena da Indústria 4.0 (disponível em: https://ri.ufs.br/bitstream/riufs/10423/2/Industria_4_0.pdf).

Para obter os resultados, foram coletados, dentre outros, dados sobre o número de ocupação em categorias de trabalho, principalmente na indústria e setor de serviços, categorias que são: postos de baixa (ex: fabricação de móveis), média-baixa (ex: fabricação de artigos de borracha e plastico, metalurgia, telecom), média-alta (ex: fabricação de veículos, hospedagem na internet) e alta (P&D, desenvolvimento de software, fabricação de eletronicos) intensidade tecnológica na utilização dos meios de produção ou prestação de serviço. Considerando resultados (vale lembrar que o objeto de estudo é o Brasil), verificou-se que, embora ocorra o maior percentual de investimento em Pesquisa & Desenvolvimento nas atividades de média-alta intensidade tecnológica na indústria e nas atividades de alta intensidade tecnológica no setor de serviços, a maior parte dos trabalhadores se concentram em atividades que empregam níveis menores de tecnologia, sobretudo nas indústrias extrativas e de transformação. Concomitantemente, quando as taxas de desocupação se elevam nos setores, o maior percentual de ocupação se mantem nas atividades de intensidades tecnológicas mais baixas, ou seja, a maior parte da ocupação - independente do percentual total de ocupação - é nos setores de baixo emprego de tecnologia, como trabalhos manuais (diarista, pedreiro, carpinteiro, etc).

Por fim, é proposta uma verificação, para futuros estudos, sobre a formação da indústria brasileira, procurando uma justificativa para as características do mercado de trabalho "corrente" (no caso o que existia em 2021) procurando soluções para desenvolver e capacitar a força de trabalho para ocupar cargos de maior emprego em tecnologia, uma vez que se entende que a riqueza do país está fortemente associada aos cargos que a população como um todo ocupa.

Por fim, pretendo utilizar meus conhecimentos adquiridos em programação (principalmente utilizando python e ferramentas de machine learning) para aprofundar meus estudos no tema em uma ocasião futura, além de atualizar os dados, pois acredito que hoje possuo mais repertório para tirar melhores conclusões e até levantar soluções mais sólidas.

Este trabalho contou com o grande apoio da minha orientadora naquele período, a dra. Maria Alice Ferreira dos Santos. Ela me direcionou corretamente me instruindo a construir um trabalho sólido e que hoje tenho orgulho de ter feito, principalmente levando em conta o tempo disponível (geralmente os trabalhos de conclusão levam mais de um ano para serem feitos, e como dito anteriormente, levei menos do que sete meses)


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